Concordância verbal e nominal: como fazer as palavras combinarem
Concordância é a relação de combinação entre as palavras da frase. Quando ela falha, o texto soa descuidado, mesmo que a ideia esteja clara. Em “Os alunos chegou cedo”, o leitor entende o fato, mas percebe de imediato o desencontro entre o sujeito e o verbo.
Este guia reúne os casos que mais geram dúvida e que contam com consenso nas gramáticas de Bechara, Cegalla e Cunha e Cintra. Cada seção traz a regra, exemplos e, quando existe, a exceção relevante. Casos em que os gramáticos divergem ficam de fora de propósito.
A regra geral: verbal e nominal
Há dois tipos de concordância. A concordância verbal liga o verbo ao sujeito: o verbo assume a mesma pessoa (eu, tu, ele) e o mesmo número (singular ou plural) do núcleo do sujeito. A concordância nominal liga os termos que acompanham o substantivo (artigo, adjetivo, numeral, pronome) ao próprio substantivo, em gênero (masculino ou feminino) e número.
Para acertar, o primeiro passo é achar o núcleo do sujeito, que é a palavra principal dele. Termos que aparecem no meio, entre o núcleo e o verbo, não mudam a concordância.
Regras principais
- O verbo concorda em pessoa e número com o núcleo do sujeito.
- Artigo, adjetivo, numeral e pronome concordam em gênero e número com o substantivo a que se referem.
- Palavras ou expressões intercaladas entre o sujeito e o verbo não alteram a concordância.
- Quando a frase tem verbo no passado ou no futuro, a regra é a mesma: localize o sujeito e flexione o verbo para ele.
Exemplos
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Correto Os alunos da turma chegaram cedo à escola.
Incorreto Os alunos da turma chegou cedo à escola.
O núcleo do sujeito é “alunos” (plural), e não “turma”.
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Correto A professora entregou os livros novos.
Artigo e adjetivo acompanham o gênero e o número do substantivo: “os livros novos”.
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Correto O conjunto de regras parece complexo, mas é simples.
O núcleo é “conjunto”, singular; “de regras” é complemento.
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Correto As cidades vizinhas foram visitadas pelos viajantes.
Em toda a frase, cada termo combina com o substantivo a que se liga.
Sujeito composto e sujeito posposto ao verbo
O sujeito composto tem dois ou mais núcleos. Quando vem antes do verbo, o verbo vai para o plural. Se os núcleos são de pessoas diferentes, a primeira pessoa prevalece sobre a segunda e a terceira, e a segunda prevalece sobre a terceira.
O sujeito posposto é aquele que vem depois do verbo. Ele continua mandando na concordância, e o erro típico é deixar o verbo no singular só porque o sujeito aparece depois. Para conferir, faça a pergunta “quem ou o que faz a ação?” e flexione o verbo para a resposta.
Regras principais
- Sujeito composto anteposto leva o verbo ao plural: “Pedro e Ana viajaram”.
- Se há pessoas diferentes, a primeira pessoa prevalece: “Eu e meus irmãos viajamos”.
- O sujeito posposto determina o número do verbo: “Faltam dois capítulos”.
- Sujeito simples com núcleo no singular mantém o verbo no singular, mesmo que haja termos no plural depois dele.
Exemplos
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Correto O professor e a diretora chegaram à reunião.
Incorreto O professor e a diretora chegou à reunião.
Dois núcleos antes do verbo pedem plural.
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Correto Eu e meus primos visitamos o museu no domingo.
A primeira pessoa (eu) prevalece, e o verbo vai para “nós”.
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Correto Nesta semana, saíram os resultados da prova.
Incorreto Nesta semana, saiu os resultados da prova.
O sujeito “os resultados” vem depois do verbo, mas o verbo concorda com ele.
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Correto Faltam dois capítulos para terminar o livro.
Incorreto Falta dois capítulos para terminar o livro.
Haver e fazer como verbos impessoais
Verbo impessoal é aquele que não tem sujeito. Por isso fica sempre na terceira pessoa do singular. O verbo haver é impessoal quando significa existir ou ocorrer, e também quando indica tempo decorrido. O verbo fazer é impessoal quando indica tempo decorrido ou fenômeno da natureza.
O erro mais comum é flexionar o verbo para o plural por causa do termo que vem depois dele. Esse termo é objeto, não sujeito. Já o verbo existir é pessoal e concorda normalmente com o que existe. Vale também para as locuções: o verbo auxiliar acompanha o impessoal e fica no singular.
Regras principais
- Haver no sentido de existir ou ocorrer fica no singular: “Havia muitas crianças na praça”.
- Haver e fazer indicando tempo decorrido ficam no singular: “Há dois anos”, “Faz dois anos”.
- Nas locuções com haver impessoal, o auxiliar também fica no singular: “Deve haver soluções”, “Vai haver reuniões”.
- Existir é pessoal e concorda com o sujeito: “Existem muitas soluções”.
Exemplos
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Correto Havia muitas crianças na praça.
Incorreto Haviam muitas crianças na praça.
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Correto Faz dois anos que viajamos juntos.
Incorreto Fazem dois anos que viajamos juntos.
Fazer indicando tempo decorrido é impessoal.
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Correto Deve haver soluções para o problema.
Incorreto Devem haver soluções para o problema.
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Correto Existem várias alternativas para o trajeto.
Existir é pessoal: o sujeito é “várias alternativas”.
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Correto Hoje fez muito frio na serra.
Fenômeno da natureza: fazer fica no singular.
Exceções
- Quando haver é verbo auxiliar de tempo composto, ele é pessoal: “Eles haviam saído antes da chuva”.
Concordância com o verbo ser
O verbo ser tem comportamento próprio porque liga o sujeito a um predicativo, e a concordância às vezes segue o predicativo. A situação mais segura envolve a indicação de horas: o verbo concorda com o número que expressa as horas, e não com a palavra “hora” dita antes.
Outro caso consensual aparece quando o sujeito é um dos pronomes tudo, isto, isso ou aquilo e o predicativo está no plural. Nesse caso o verbo pode ir para o plural, concordando com o predicativo.
Regras principais
- Na indicação de horas, o verbo ser concorda com o numeral: “É uma hora”, “São duas horas”.
- Meio-dia e meia-noite pedem o verbo no singular: “É meio-dia”.
- Com sujeito tudo, isto, isso ou aquilo e predicativo plural, o verbo ser pode concordar com o predicativo: “Tudo são flores”.
- O verbo ser concorda com o numeral mesmo quando o tempo aparece na forma de pergunta: “Que horas são?”.
Exemplos
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Correto Quando saímos da escola, eram quatro horas da tarde.
Incorreto Quando saímos da escola, era quatro horas da tarde.
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Correto É uma hora da tarde e a biblioteca ainda está aberta.
Numeral “uma”, singular.
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Correto Era meio-dia quando chegamos à praia.
Meio-dia é singular.
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Correto Que horas são?
O verbo concorda com “horas”.
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Correto Aquilo eram sonhos de criança.
Sujeito “aquilo” e predicativo plural: o verbo pode concordar com o predicativo.
Expressões que confundem: um dos que, mais de um, cerca de
Algumas expressões criam dúvida porque o termo que parece sujeito não é o núcleo real. Em “um dos que”, o verbo vai para o plural, porque o pronome relativo “que” retoma o grupo (“os que”). Em “mais de um”, o verbo fica no singular. Em “cerca de”, o verbo concorda com o numeral que vem depois.
Nomes de lugares ou de obras que existem só no plural pedem verbo no plural quando vêm com artigo plural: “Os Estados Unidos têm grandes parques nacionais”.
Regras principais
- “Um dos que” leva o verbo ao plural: “Ele é um dos alunos que mais estudam”.
- “Mais de um” leva o verbo ao singular: “Mais de um aluno faltou”.
- “Cerca de” é locução que acompanha o numeral, e o verbo concorda com ele: “Cerca de vinte pessoas assistiram”.
- Nome de lugar plural com artigo plural pede verbo plural: “Os Estados Unidos têm”.
Exemplos
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Correto Ele é um dos alunos que mais estudam.
O relativo “que” retoma “os alunos”.
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Correto Mais de um visitante elogiou o museu ontem.
Incorreto Mais de um visitante elogiaram o museu ontem.
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Correto Cerca de quarenta turistas percorreram a trilha pela manhã.
Incorreto Cerca de quarenta turistas percorreu a trilha pela manhã.
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Correto Os Estados Unidos têm grandes parques nacionais.
Incorreto Os Estados Unidos tem grandes parques nacionais.
O pronome se: voz passiva sintética e sujeito indeterminado
O pronome “se” colado ao verbo pode ter duas funções. Na voz passiva sintética, ele é partícula apassivadora: o verbo é transitivo direto e o termo que vem depois é o sujeito, por isso o verbo concorda com ele. Exemplo: “Estudam-se as regras” equivale a “As regras são estudadas”.
Na indeterminação do sujeito, o verbo não é transitivo direto: ele é intransitivo, transitivo indireto ou de ligação, e vem acompanhado de preposição ou de predicativo. Nesse caso o verbo fica no singular, porque não há sujeito claro.
Regras principais
- Verbo transitivo direto + se: o se é apassivador e o verbo concorda com o sujeito paciente: “Discutiram-se os temas”.
- Verbo com preposição, intransitivo ou de ligação + se: sujeito indeterminado e verbo no singular: “Fala-se de viagens”.
- “Trata-se de” fica sempre no singular: “Trata-se de questões simples”.
- Não confunda: “Estudam-se as regras” (passiva) com “Gosta-se de estudar” (indeterminação).
Exemplos
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Correto Estudam-se as regras de concordância.
Incorreto Estuda-se as regras de concordância.
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Correto Discutiram-se os temas da aula.
Incorreto Discutiu-se os temas da aula.
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Correto Falou-se de viagens durante o jantar.
Incorreto Falaram-se de viagens durante o jantar.
Falar é usado com preposição “de”: sujeito indeterminado.
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Correto Vive-se bem em cidades pequenas.
Verbo intransitivo: singular.
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Correto Trata-se de questões simples.
“De questões” é complemento preposicionado; não há sujeito.
Concordância nominal: adjetivo, substantivos e predicativo
O adjetivo que vem depois de dois ou mais substantivos pode ir para o plural, e o masculino prevalece se os gêneros forem diferentes. Esse é o uso mais seguro e também o mais comum na escrita formal.
Em construções como “É proibida a entrada” e “É necessária a paciência”, o adjetivo funciona como predicativo. Quando o substantivo vem determinado por artigo ou outro determinante, o adjetivo concorda com ele em gênero e número. Sem determinante, a expressão pode ficar invariável, mas a construção com artigo é a mais segura.
Regras principais
- Adjetivo posposto a dois substantivos pode ir para o plural: “livros e revistas antigos” (masculino prevalece).
- Com o substantivo determinado por artigo, o predicativo concorda: “É proibida a entrada”.
- O mesmo vale para “É necessária a paciência” e “São necessárias as regras”.
- Quando o adjetivo se refere a um só substantivo, concorda com ele em gênero e número: “casas antigas”, “museu antigo”.
Exemplos
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Correto É proibida a entrada de animais.
Incorreto É proibido a entrada de animais.
Com o artigo “a”, o adjetivo concorda com “entrada”.
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Correto É necessária a paciência para aprender uma língua.
Incorreto É necessário a paciência para aprender uma língua.
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Correto Visitamos museus e bibliotecas antigos.
O masculino plural prevalece sobre o feminino.
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Correto São permitidas as visitas aos domingos.
Predicativo concorda com “as visitas”.
Meio, bastante e só: quando variam e quando não variam
Estas três palavras têm duas funções. Como adjetivo ou numeral, concordam com o substantivo. Como advérbio, ficam invariáveis. Para distinguir, troque a palavra: se couber “um pouco”, é advérbio; se for “metade”, “suficiente” ou “sozinho”, é adjetivo.
Em “meio cansada”, meio significa “um pouco” e fica invariável. Em “meia hora”, significa “metade” e concorda com “hora”. Com “só”, vale o mesmo raciocínio: “sós” significa sozinhos, e “só” no sentido de apenas não varia.
Regras principais
- Meio como advérbio (um pouco) é invariável: “Elas ficaram meio assustadas”.
- Meio como numeral (metade) varia: “meia hora”, “meio litro”.
- Bastante como adjetivo (suficiente) varia: “bastantes livros”; como advérbio é invariável: “bastante felizes”.
- “Só” como adjetivo (sozinho) varia: “Os irmãos ficaram a sós”; como advérbio (apenas) é invariável: “Elas só leram dois capítulos”.
Exemplos
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Correto Elas ficaram meio assustadas com o barulho.
Incorreto Elas ficaram meias assustadas com o barulho.
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Correto A aula durou meia hora.
Meia é numeral e concorda com “hora”.
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Correto Há bastantes livros na estante.
Bastantes = muitos, suficientes: adjetivo.
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Correto As crianças estudaram bastante antes da prova.
Advérbio de intensidade.
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Correto Os irmãos ficaram a sós na sala.
“A sós” é locução fixa.
Anexo, obrigado, mesmo, próprio, menos e possível
Anexo é adjetivo e concorda com o substantivo: “Seguem anexas as fotos”. A locução “em anexo” é invariável. Obrigado concorda com quem fala: homem diz “obrigado”, mulher diz “obrigada”, e um grupo de mulheres diz “obrigadas”. Mesmo e próprio variam em gênero e número quando reforçam um termo: “elas mesmas”, “as próprias alunas”.
Menos é sempre invariável, e a forma “menas” não existe na norma-padrão. Possível concorda com o artigo quando acompanha superlativos como “os melhores” ou “as mais belas”: “os melhores livros possíveis”. Em “o mais depressa possível”, o artigo está no singular e possível também.
Regras principais
- Anexo varia: “Seguem anexas as fotos”; em anexo é invariável.
- Obrigado concorda com quem fala: “Muito obrigada”, disse a professora.
- Mesmo e próprio concordam com o termo que reforçam: “As alunas mesmas prepararam”.
- Menos é invariável: “menos pessoas”, nunca “menas pessoas”.
- Possível concorda com o artigo do superlativo: “os melhores livros possíveis”.
Exemplos
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Correto Seguem anexas as fotos da viagem.
Incorreto Seguem anexo as fotos da viagem.
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Correto Muito obrigada, disse a professora ao receber as flores.
Incorreto Muito obrigado, disse a professora ao receber as flores.
A professora é mulher, então obrigada.
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Correto As alunas mesmas prepararam a apresentação.
Incorreto As alunas mesmo prepararam a apresentação.
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Correto Havia menos pessoas no parque hoje.
Incorreto Havia menas pessoas no parque hoje.
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Correto Os alunos escolheram os melhores livros possíveis.
Incorreto Os alunos escolheram os melhores livros possível.
Exceções
- A expressão “em anexo” é invariável: “Segue em anexo a lista de leituras”.
Erros frequentes
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Incorreto Haviam muitas crianças na praça.
Correto Havia muitas crianças na praça.
Haver no sentido de existir é impessoal e fica no singular.
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Incorreto Fazem dois anos que viajamos juntos.
Correto Faz dois anos que viajamos juntos.
Fazer indicando tempo decorrido é impessoal e fica no singular.
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Incorreto Devem haver soluções para o problema.
Correto Deve haver soluções para o problema.
O auxiliar acompanha o verbo haver impessoal e fica no singular.
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Incorreto Estuda-se as regras de concordância.
Correto Estudam-se as regras de concordância.
O verbo é transitivo direto: o se é apassivador e o verbo concorda com o sujeito plural.
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Incorreto Falaram-se de viagens durante o jantar.
Correto Falou-se de viagens durante o jantar.
Com a preposição “de”, o sujeito é indeterminado e o verbo fica no singular.
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Incorreto Mais de um visitante elogiaram o museu.
Correto Mais de um visitante elogiou o museu.
“Mais de um” leva o verbo ao singular.
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Incorreto Os Estados Unidos tem grandes parques nacionais.
Correto Os Estados Unidos têm grandes parques nacionais.
Nome de lugar plural com artigo plural pede verbo plural.
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Incorreto Elas ficaram meias assustadas.
Correto Elas ficaram meio assustadas.
Meio como advérbio (um pouco) é invariável.
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Incorreto Havia menas pessoas no parque.
Correto Havia menos pessoas no parque.
Menos é invariável; “menas” não existe na norma-padrão.
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Incorreto Seguem anexo as fotos da viagem.
Correto Seguem anexas as fotos da viagem.
Anexo é adjetivo e concorda com “as fotos”.
Dicas para não errar
- Antes de flexionar o verbo, ache o núcleo do sujeito e pergunte “quem ou o que faz a ação?”.
- Se o verbo “haver” significa existir ou indica tempo passado, escreva-o sempre no singular; se a ideia for existir com sujeito, troque por “existir” para testar.
- Para saber se “meio” ou “bastante” varia, tente trocar por “um pouco” (advérbio, não varia) ou por “metade” e “suficiente” (adjetivo, varia).
- Se o verbo vem com “se”, veja se tem preposição: com preposição é indeterminação (singular), sem preposição e transitivo direto é passiva (concorda com o sujeito).
- Releia a frase em voz alta pulando os termos entre vírgulas: o desencontro entre sujeito e verbo costuma aparecer.
Para lembrar
- O verbo concorda com o núcleo do sujeito; o adjetivo concorda com o substantivo.
- Haver (existir ou tempo) e fazer (tempo) ficam no singular: “Havia”, “Faz dois anos”.
- Sujeito posposto continua mandando no verbo: “Faltam dois capítulos”.
- Mais de um: singular. Um dos que: plural. Cerca de: acompanha o numeral.
- Meio, bastante e só: variam como adjetivos, ficam fixos como advérbios.
Perguntas frequentes
“Fazem dois anos” ou “Faz dois anos”?
O correto é “Faz dois anos”. Quando indica tempo decorrido, o verbo fazer é impessoal e fica sempre no singular.
Posso dizer “Haviam muitas pessoas”?
Não. Haver no sentido de existir é impessoal. O correto é “Havia muitas pessoas”.
“Menas” existe?
Não. Menos é invariável na norma-padrão: “menos pessoas”, “menos dúvidas”.
Como saber se o se é passiva ou indeterminação?
Se o verbo é transitivo direto, o se é apassivador e o verbo concorda com o sujeito. Se o verbo pede preposição, o sujeito é indeterminado e o verbo fica no singular.
Obrigado ou obrigada?
Concorda com quem agradece. Mulher diz “obrigada”, homem diz “obrigado”.
Fontes deste guia
- Bechara, Moderna Gramática Portuguesa. Base para as regras de concordância verbal e nominal.
- Cegalla, Novíssima Gramática da Língua Portuguesa. Consulta para verbos impessoais, verbo ser e palavras como meio, anexo e obrigado.
- Cunha e Cintra, Nova Gramática do Português Contemporâneo. Conferência do sujeito composto e da voz passiva sintética.
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Teste o que aprendeu
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