Regência verbal e nominal: qual preposição usar
Regência é a parte da gramática que estuda a relação de dependência entre as palavras. Uma delas, o termo regente, exige outra, o termo regido, e muitas vezes pede uma preposição para ligá-las. Quando o regente é um verbo, fala-se em regência verbal. Quando é um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio), fala-se em regência nominal.
Dominar a regência evita frases como “assisti o filme” ou “prefiro cinema do que teatro” em textos formais. Este guia reúne os casos que as gramáticas tradicionais registram de forma consensual, com exemplos do dia a dia, e mostra também como a preposição aparece antes dos pronomes relativos.
O que é regência: termo regente e termo regido
Em “Moramos em Recife”, o verbo moramos é o termo regente e Recife é o termo regido. A preposição em faz a ligação entre os dois. Em “Ela tem respeito pelos professores”, o regente é o substantivo respeito e o regido é professores.
A regência não depende do gosto de quem fala. Cada verbo ou nome tem um modo de se ligar ao complemento, fixado pelo uso culto e registrado nas gramáticas. Por isso, um mesmo verbo pode mudar de regência quando muda de sentido, como acontece com assistir.
Regras principais
- Termo regente é a palavra que exige complemento; termo regido é o complemento exigido.
- A ligação pode pedir preposição (gostar de) ou dispensá-la (ler um livro).
- A regência verbal trata dos verbos; a nominal trata de substantivos, adjetivos e advérbios.
- Quando o sentido do verbo muda, a regência também pode mudar.
Exemplos
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Correto Nós moramos em Recife.
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Correto Ela tem respeito pelos professores.
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Correto Leio um livro por semana.
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Correto Sou fiel aos meus amigos.
Transitividade: direto, indireto, direto e indireto, intransitivo
A transitividade mostra se o verbo precisa de complemento e de que tipo. O verbo transitivo direto pede complemento sem preposição obrigatória (ler um poema). O transitivo indireto pede complemento com preposição (gostar de música). O transitivo direto e indireto pede os dois (entregar o livro ao colega). O intransitivo tem sentido completo sozinho (A chuva cessou).
A transitividade vale para o sentido em que o verbo está sendo usado. Por isso, diante de uma dúvida, a primeira pergunta é: o que o verbo quer dizer nesta frase? Quem responde a isso escolhe a preposição certa.
Regras principais
- Transitivo direto: complemento sem preposição (objeto direto).
- Transitivo indireto: complemento com preposição (objeto indireto).
- Transitivo direto e indireto: um complemento sem preposição e outro com preposição.
- Intransitivo: o verbo não precisa de complemento; pode vir com adjunto de lugar ou de tempo.
Exemplos
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Correto Os alunos leram o poema.
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Correto Gostamos de música clássica.
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Correto O guia mostrou o mapa aos turistas.
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Correto O sol nasceu.
Assistir: ver, ajudar, caber e morar
O verbo assistir muda de regência conforme o sentido. No sentido de ver, presenciar, é transitivo indireto e pede a preposição a: assistir ao jogo. Na norma-padrão, não se usa “assistir o jogo” com esse sentido. No sentido de ajudar, prestar assistência, é transitivo direto: A enfermeira assistiu o paciente.
Há ainda dois usos menos frequentes. Com o sentido de caber, ser um direito de alguém, é indireto: Assiste ao cidadão o direito de votar. Com o sentido de morar, é intransitivo e vem com a preposição em: Ele assiste em Lisboa.
Regras principais
- Ver, presenciar: assistir a (objeto indireto).
- Ajudar, dar assistência: assistir (objeto direto, sem preposição).
- Caber, ser um direito: assistir a.
- Morar: assistir em.
Exemplos
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Correto Assistimos ao jogo no estádio da cidade.
Incorreto Assistimos o jogo no estádio da cidade.
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Correto Os alunos assistiram à palestra sobre astronomia.
Incorreto Os alunos assistiram a palestra sobre astronomia.
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Correto A enfermeira assistiu o paciente durante a noite.
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Correto Assiste ao cidadão o direito de votar.
Aspirar, visar e implicar
Aspirar tem dois sentidos. Como respirar, inalar, é transitivo direto: Aspiramos o ar puro da montanha. Como desejar, almejar, é transitivo indireto e pede a: Aspiro a uma vaga na equipe de natação.
Visar é transitivo direto quando significa mirar ou pôr visto: O arqueiro visou o alvo; O diretor visou o certificado. Quando significa ter como objetivo, pede a: O estudo visa ao conhecimento das espécies. Já implicar, no sentido de acarretar, trazer como consequência, é transitivo direto: A seca implica escassez de água.
Regras principais
- Aspirar no sentido de respirar: sem preposição.
- Aspirar no sentido de almejar: com a.
- Visar no sentido de mirar ou pôr visto: sem preposição; no sentido de ter por objetivo: com a.
- Implicar no sentido de acarretar: sem preposição, portanto não se escreve “implica em”.
Exemplos
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Correto A atleta aspira a uma medalha nos Jogos.
Incorreto A atleta aspira uma medalha nos Jogos.
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Correto Ao subir a serra, aspiramos o ar fresco.
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Correto O estudo visa ao conhecimento das espécies.
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Correto A falta de chuva implica escassez de água.
Incorreto A falta de chuva implica em escassez de água.
Obedecer, desobedecer, preferir e agradar
Obedecer e desobedecer são transitivos indiretos e pedem a, tanto para pessoas quanto para regras: Os motoristas obedecem à sinalização. Preferir liga o que se escolhe ao que se deixa de lado com a preposição a: Prefiro o mar à montanha.
Como o próprio verbo preferir já traz a ideia de comparação, a norma-padrão rejeita mais antes dele e do que depois dele. Agradar, no sentido de satisfazer, ser agradável a alguém, é transitivo indireto: O espetáculo agradou ao público. Desagradar segue a mesma regência.
Regras principais
- Obedecer e desobedecer: sempre com a.
- Preferir uma coisa a outra; evite “preferir ... do que” e “mais ... do que” com esse verbo.
- Agradar no sentido de satisfazer: com a.
- Diante de substantivo feminino com artigo, a preposição se une a ele: obedecer à regra.
Exemplos
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Correto As crianças obedecem aos pais.
Incorreto As crianças obedecem os pais.
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Correto Prefiro caminhar a correr.
Incorreto Prefiro caminhar do que correr.
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Correto Ele preferiu o campo à cidade.
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Correto Quem desobedece às regras do jogo é advertido.
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Correto A música agradou ao público.
Informar, esquecer e lembrar
Informar é transitivo direto e indireto e admite duas construções. Na primeira, a pessoa é o objeto direto e o assunto vem com de ou sobre: Informei os alunos do horário. Na segunda, o assunto é o objeto direto e a pessoa vem com a: Informei o horário aos alunos.
Esquecer e lembrar também têm duas construções. Sem pronome, são transitivos diretos: Esqueci o nome dela; Lembrei o endereço. Com pronome (esquecer-se, lembrar-se), são transitivos indiretos e pedem de: Esqueci-me do nome dela; Lembrei-me do endereço. Na norma-padrão, não se misturam as duas formas.
Regras principais
- Informar alguém de ou sobre algo, ou informar algo a alguém.
- Esquecer e lembrar sem pronome: objeto direto, sem preposição.
- Esquecer-se e lembrar-se: objeto indireto com de.
- Ou se usa o verbo sem pronome e sem preposição, ou com pronome e com de.
Exemplos
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Correto A guia informou os turistas sobre o roteiro.
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Correto A guia informou o roteiro aos turistas.
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Correto Esqueci o guarda-chuva na biblioteca.
Incorreto Esqueci do guarda-chuva na biblioteca.
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Correto Esqueci-me do guarda-chuva na biblioteca.
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Correto Lembrei-me da viagem de infância.
Chegar, ir, morar, proceder, simpatizar e namorar
Chegar indica destino e pede a: Chegamos a Lisboa. Ir também pede a (Fomos ao museu) e admite para quando há ideia de permanência (Ele foi para São Paulo, onde vai morar). Morar e residir indicam o lugar onde alguém vive e pedem em: Moro em Belém; Ela reside na capital.
Proceder tem dois usos. Com a, significa iniciar, dar andamento: Procedeu-se à votação. Com de, significa originar-se, vir de: O rio procede de uma nascente na serra. Simpatizar pede com: Simpatizo com os vizinhos. Namorar é transitivo direto: Júlia namora Pedro há dois anos.
Regras principais
- Chegar pede a. Ir pede a, ou para quando há ideia de permanência.
- Morar e residir: o lugar vem com em.
- Proceder a significa iniciar; proceder de significa originar-se.
- Simpatizar pede com; namorar não leva preposição.
Exemplos
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Correto Os viajantes chegaram a Salvador de madrugada.
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Correto Minha avó mora em Ouro Preto.
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Correto A comissão procedeu à leitura do relatório.
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Correto Simpatizo com a ideia do passeio.
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Correto Camila namora Rafael desde a época da escola.
Incorreto Camila namora com Rafael desde a época da escola.
Regência nominal: substantivos e adjetivos
Na regência nominal, substantivos, adjetivos e advérbios também pedem preposição. O caminho mais seguro é decorar o par formado pela palavra e sua preposição: acessível a, fiel a, necessidade de, respeito a ou por, obediência a, prejudicial a, devoção a ou por.
O adjetivo apto aceita a ou para: apto a aprender; apto para o esporte. Os substantivos derivados de verbos costumam manter a preposição do verbo: de obedecer a vem obediência a.
Regras principais
- Acessível a, fiel a, obediência a e prejudicial a levam a preposição a.
- Necessidade pede de.
- Respeito e devoção aceitam a ou por.
- Apto aceita a ou para.
Exemplos
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Correto O museu é acessível a visitantes de todas as idades.
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Correto Os cães são fiéis aos donos.
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Correto A população tem necessidade de áreas verdes.
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Correto O excesso de ruído é prejudicial à saúde.
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Correto O jovem mostrou respeito pelos mais velhos.
Pronomes relativos com preposição
Quando o pronome relativo (que, quem, o qual, cujo, onde) substitui um termo que exigia preposição, essa preposição vem antes do relativo. Em “Assisti ao filme”, o complemento tem a; por isso, “O filme a que assisti era longo”. Para achar a preposição, separe a frase em duas e veja o que o verbo ou o nome pede.
Cujo indica posse, concorda com o termo possuído e não é seguido de artigo: O autor cujo livro li. Pode vir depois de preposição: O autor de cujo livro gostei. Para lugar, em que e onde costumam equivaler: A cidade em que moro; A cidade onde moro.
Regras principais
- A preposição exigida pelo verbo ou pelo nome vem antes do pronome relativo.
- Com pessoas, quem aparece sempre depois de preposição: a pessoa de quem gosto.
- Cujo concorda com o termo possuído e não admite artigo logo depois.
- Para descobrir a preposição, transforme o relativo na frase simples que lhe deu origem.
Exemplos
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Correto O filme a que assisti estreou no mês passado.
Incorreto O filme que assisti estreou no mês passado.
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Correto A cidade em que moro fica no litoral.
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Correto O autor cujo livro li ganhou um prêmio.
Incorreto O autor cujo o livro li ganhou um prêmio.
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Correto A professora de quem gosto ensina geografia.
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Correto As regras a que os jogadores obedecem são claras.
Erros frequentes
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Incorreto Assisti o filme ontem à noite.
Correto Assisti ao filme ontem à noite.
No sentido de ver, assistir é transitivo indireto e pede a.
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Incorreto Prefiro cinema do que teatro.
Correto Prefiro cinema a teatro.
Preferir liga os termos com a; a comparação já está dentro do verbo.
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Incorreto A seca implica em perdas na lavoura.
Correto A seca implica perdas na lavoura.
No sentido de acarretar, implicar é transitivo direto e dispensa a preposição.
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Incorreto Os alunos obedecem o regulamento.
Correto Os alunos obedecem ao regulamento.
Obedecer e desobedecer são transitivos indiretos e pedem a.
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Incorreto O filme que assisti era ótimo.
Correto O filme a que assisti era ótimo.
A preposição pedida pelo verbo deve vir antes do pronome relativo.
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Incorreto O autor cujo o livro li é jovem.
Correto O autor cujo livro li é jovem.
O pronome cujo já indica posse e não aceita artigo depois dele.
Dicas para não errar
- Pergunte primeiro qual é o sentido do verbo na frase. Assistir, aspirar e visar mudam de regência conforme o sentido.
- Memorize pares curtos: obedecer a, preferir a, simpatizar com, morar em, chegar a.
- Para achar a preposição antes do relativo, desmonte a frase: “Assisti ao filme” e “O filme era longo” viram “O filme a que assisti era longo”.
- Lembre que preferir já contém a ideia de “mais”, por isso não combina com “mais” nem com “do que”.
Para lembrar
- Regente pede, regido completa; a preposição faz a ponte.
- Assistir a é ver; assistir sem preposição é ajudar.
- Aspirar a e visar a indicam objetivo; aspirar o ar é respirar.
- Prefere-se uma coisa a outra, nunca “do que”.
- A preposição do verbo vem antes do relativo: o filme a que assisti.
Perguntas frequentes
Por que “assistir o filme” é considerado erro?
As gramáticas tradicionais classificam assistir, no sentido de ver, como transitivo indireto. Por isso, a forma indicada para textos formais é assistir ao filme. No sentido de ajudar, o verbo é direto e dispensa a preposição.
Posso usar “preferir ... do que”?
Na norma-padrão, não. A regência tradicional é preferir uma coisa a outra: prefiro leitura a televisão. A mesma lógica vale para evitar “mais” junto de preferir.
Implicar sempre dispensa a preposição?
No sentido de acarretar, trazer como consequência, sim: a seca implica escassez. O verbo tem outros sentidos, que não fazem parte deste guia.
Fontes deste guia
- Bechara, Moderna Gramática Portuguesa. Conceitos de regência verbal e nominal e transitividade.
- Cegalla, Novíssima Gramática da Língua Portuguesa. Regência de verbos como assistir, aspirar, visar, preferir e esquecer, e lista de regências nominais.
- Cunha e Cintra, Nova Gramática do Português Contemporâneo. Emprego de preposições e de pronomes relativos, incluindo cujo.
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